quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Luto.

Acabo de saber que minha amiga Lucia Lombardi, faleceu.
Em janeiro de 2010, Lucia descobriu um câncer de ovário, logo depois eu da mama, nos conhecemos na blogosfera e ficamos amigas.
Sinto uma dor, uma indgnação tão grande que não sei se choro ou se fico pasmada olhando pra parede, ou releio a ultima conversa que tivemos, quando me contou que iria operar de novo pois o petscan acusou uma ulcera no estomago, e neoplasia e vários nódulos espalhados pelo peritônio. Depois da cirurgia porém, ela ficou na UTI e não voltou mais.

Neste post http://dosnossoslimoes.blogspot.com.br/2011/02/carta.html, eu falei sobre quando ela me enviou uma carta, lembro-me do Natal, em que eu estava triste e ela me ligou, enchendo minha casa de alegria. Sempre profetizou a minha cura. E hoje está no céu, com certeza. Cantando a Deus;
Lucia tinha uma fé inabalável e é essa a lição que deixa a nós. E em nenhum momento desacreditou no poder do  Deus a qual servia.  
Pra finalizar, transcrevo seu ultimo post no blog: http://alexandrelucialombardi.blogspot.com.br/


quarta-feira, 11 de julho de 2012

A vida e maravilhosa, vamos viver a plenitude a cada dia. Deus criou tudo para o nosso prazer. Infelizmente o homem estraga as coisas tao maravilhosas que o Todo Poderoso criou. Chega de falar de doencas, chega de falar de coisas negativas. Temos que determinar sempre coisas boas, porque Deus quer que tenhamos vida e paz. Beijos a todos!

Ao esposo Alexandre Almeida e as filhas, as minhas condolências e solidariedade no momento de dor.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O fim do mistério...

Lembram que eu havia  contado sobre uma “novidade nova” , não quis contar porque não tinha certeza, mas eis que o mistério acabou. Pense numa celebridade oncológica (plágio de Ana Michele) Multiplique por 3. Somos nós, eu, Meg e Ana Michele.
Fomos entrevistadas pelo Jornal Correio Braziliense, para falarmos sobre o blog, a doença, enfim, sobre toda vivencia e experiências que manter o blog nos proporciona. Pra mim, foi uma honra, partilhar a reportagem com Meg Vicente do blog http://mamamiameg.blogspot.com.br/, e a fofíssima Ana Michele, cujo blog eu já acompanhava, antes  mesmo dela adoecer, na época da construção da minha casa, tem muito dela na casa, e é ótimo, pois não só de câncer vive uma mulher, passa lá http://www.papodecasa.com/.
Muito orgulho em ver minha fotinha com a filharada e maridão. Apesar de ter faltado umas coisinhas, mas tuudo bem. Estamos no aguardo do convite do Faustão, não sei o que aconteceu, as linhas só podem estar congestionadas, porque até agora ele não ligou.
Consegui com minha empresária, Érica Sato,ligada a Oncoguia e quem me indicou pra Gláucia o arquivo em PDF, clica na imagem que ela cresce. Mas já vou avisando, autógrafos só com agendamento, porque ser celebridade oncológica não anula os efeitos colaterais do tratamento.
Beijos meus fãs, volto em breve, pós turnê ou se Faustão ligar.











domingo, 16 de setembro de 2012

QUASE

Olá amores, to quietinha né, pois bem, as dores tem aumentado e os remédios me deixam dopadas, mas to bem. no aguardo do remédio e que esta dor me abandone, fazendo planos pra...(ah, por enquanto é segredo).
Incrível como a dor nos faz mais frágeis, e não falo só no sentido físico, mas emocional também. não tem uma semana estava ótima, e estes dias, com esta dor. Por isso mesmo, entendo que ela vá passar e que poderei dar meus pulos por ai.
Não vou me estender muito não, vim só dar oi e desejar um ótimo domingo. Deixo um poema que gosto muito. Beijos e até breve

QUASE

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. 

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Consulta do mês.

Enfim chegou o dia de voltar à médica, o que pra mim é sempre uma alegria, Dra Sara, tem o dom de me acalmar, por mais dura que seja, porque a bichinha é pequenina, mas não manda recado não. Não canso de dizer que ela é um anjo em minha vida, vida que ela resgatou e tem mantido em parceria comigo e Deus Nosso Senhor. É este o processo da cura, confiar no médico, em Deus e lutar.  E aqui entre nós, quando o médico dizer que a coisa ta feia pro seu lado, ignore e abandone a parceria, porque eles trabalham muito com o concreto, porque a gente cansa e desanima, se agarrar em Deus, deixa por conta Dele, pois a Ele pertence nossas vidas.
Neste mês eu a deixei triste, eu bem sei, porque eu também estava triste. Sempre chego lá com um chocolate, com sorrisos e abraços, próprios da pessoa fofa que sou. Não deixei de abraça-la e sorrir, mas sou transparente demais a quem me conhece, uma batida de olhos e ela já sabia que algo não estava bem. Nada nos exames, uma anemiazinha, mas de resto, tudo lindo, leucócitos normais, cálcio que não havia, normais; e todo aquelas coisas lá apontando que a doença está controlada. Digno de comemoração né? E realmente agradeço por essa benção. Tenho um pouco mais de mobilidade, não passo mais dias e dias vomitando, já precisei aparar os cabelos e comprar um pente, de depilação nas partes baixas, pernas e afins. Quem está rindo destas minhas confissões é porque é um bobão, porque nunca ficou careca, (parte ruim) e meses sem depilar nada (parte boa).
As dormências em meus pés incomodam muuuito, sinto como que meus pés estivessem congelados. O que dificulta andar, tenho tido dores. Dois passos e estou cansada e com dores; tenho me irritado mais, tudo me irrita, até eu própria mesma. E fico chateada, por não poder sair por ai, livre, leve e solta, depender do Dir pra tudo, ter que esperar que possa me levar em algum lugar; esqueço-me das coisas; não tenho animo. E eu sei que tudo isso é por causa da dor, pois ela, a dor, é o anuncio que a doença, pode estar até controlada, mas aqui está. E isso da tanto medo. Ai gente me deixa, eu sei de tudo isso que está pensando, que precisa ter fé, e eu tenho; que precisa ter força, e eu me esforço, que é preciso viver o presente e eu vivo, mas choraminguei porque não dá pra ser 100% diante de um vida com “tratamentos paliativos”. Falar a verdade verdadeira, eu to doida, louquinha pra viajar, fazer algo com minha família e não consigo, isso mina meu ser. Ansiedade judia.
Bom, pós choramingos, pós resultados bons do exame, a médica pediu remédio pra ansiedade e a aplicação de um remédio,  loco de caro e que vem do Canadá; Samário -153 ou Quadramet. O tratamento com samário-153 tem como objetivo o controle da dor causada por metástases ósseas, é um material radioativo que tem a capacidade de ligação às lesões ósseas, aonde realizará o seu efeito analgésico. Traduzindo, ele ataca direto no tumor aliviando a dor até por 6 meses, embora o prenuncio seja que a dor aumente nos primeiros dias pós aplicação, , a previsão é que ele chegue dia 21/09 e tenho que estar na clinica para aplicação até que o remédio xique chegue. E vamos ver no que vai dar né. Até lá, ou me fico dopadinha, que detesto ou tolero a dor conforme posso, é o que tenho feito. 
Mas isso não quer dizer que esteja profundamente deprimida e a beira de um piti, quase isso, mas fico em movimento, mesmo que só saia de uma cadeira pra sentar na outra. Essas pernas que insistem em não obedecer as minhas vontades...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

É LoUcUrA



É por isso que eu jamais, em tempo algum,  aceito que digam que a doença me venceu. Mesmo que minha vida se finde, ainda sim , ela não terá me vencido, só perde quem não luta e isso, isso eu sempre fiz e farei.
Fazemos...

sábado, 1 de setembro de 2012

Cientistas do Rio desenvolvem novo tratamento contra metástase óssea

Uma esperança... 

Eles conseguiram transformar em nanopartículas remédios que agem emitindo baixas doses de radiação no tumor, e que já são usados no diagnóstico e no tratamento do câncer.



Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com diversas instituições brasileiras de pesquisa estão desenvolvendo um tratamento novo contra um tipo grave de câncer.
A aposta dos pesquisadores é uma arma minúscula, tão pequena que só pode ser vista com um super microscópio capaz de ampliar a imagem 300 mil vezes. Os cientistas desenvolvem um novo tratamento contra a metástase óssea, quando o câncer se espalha para o osso. Normalmente, atinge pacientes que já tiveram tumores de mama ou de próstata.
Eles conseguiram transformar em nanopartículas remédios que agem emitindo baixas doses de radiação no tumor, e que já são usados no diagnóstico e no tratamento do câncer. Para chegar a essas nanopartículas, é preciso dividir o milímetro um milhão de vezes.
Os medicamentos feitos a partir dessas partículas tão pequenas são uma das grandes esperanças da medicina para o tratamento do câncer. Apesar do tamanho, são remédios poderosos, que prometem ser mais eficazes e trazer mais qualidade de vida para os pacientes.
Os nanomedicamentos são revestidos por uma cápsula. Nela, os pesquisadores colocaram substâncias para levar o remédio até o tumor, e sem se espalhar pelo organismo.
“A partir do momento que você administra ela, ela vai ser guiada ao longo do seu organismo, especificamente para o local onde ela precisa agir, para o local doente do seu organismo”, explica Franceline Reynaud, professora da Faculdade de Farmácia da UFRJ.
Nos testes em animais, as nanopartículas foram 70% mais eficientes que os remédios convencionais. Em quatro anos, os pesquisadores esperam testar a novidade em seres humanos.
O Brasil pode se tornar um dos países pioneiros na busca de tratamentos cada vez menos agressivos contra o câncer.
“Ele volta a andar, a dirigir, a poder abraçar seu familiar, e ele tem uma vida muito mais produtiva, tanto social quanto em termos familiar, até o fim da sua vida”, reforça o coordenador da pesquisa, Ralph Santos Oliveira.
“É o que a gente chama de individualização do tratamento. Ou seja, você utilizar o tratamento certo, na dose certa, para o paciente correto. Com certeza é o futuro do tratamento do câncer”, conclui Carlos Gil Ferreira, coordenador de pesquisa clínica do Inca.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Antes de partir

Ola mores...
Continuo na mesma tontisse de sempre, e os amortecimentos nos pés tem me obrigado a ficar mais paradinha, mas a cabeça vai a mil...
Passamos por alguns sustos por aqui, cidade pequena, todo mundo sabe de de todo mundo e a poucos dias morreram duas pessoas queridas “da doença” , e outro professor foi muito mal pra UTI, foram dias de reflexão intensa. Como se a fila andasse e eu fosse a próxima, ao mesmo tempo, de agradecimento, por estar aqui ainda. Tontinha, esquecidinha, mas aqui. Uma confusão de sentimentos mesmo, entre medo e alivio;  revolta, desassossego e acolhimento, um medo tão grande me fazendo tão pequena, ao mesmo tempo sentindo-se abraçada, envolvida por amor maior ainda,me fazendo tão grande. Tão envolta do amor que Deus tem por mim. Então vem mais reflexão, o que Ele quer de mim, quais seus planos, o que ainda tenho por fazer?
Bem, o amor Dele por mim, já me basta. E submeto-me a seus desígnios, só oro para que eu entenda e cumpra-os. Amém!
Quanto ao que fazer? Poxa isso realmente tem me aborrecido. Inspirado no filme (lindíssimo) Antes de partir, já viram? O filme trata da vida de duas pessoas totalmente diferentes (um empresário rico e outro, um mecânico de classe média), que têm em comum a notícia de que lhes resta 1 ano de vida (ambos com câncer). Os dois amigos (Nicholson e Freeman) elaboram uma lista de coisas a fazer "antes de partir", que vão desde pular de pára-quedas até chorar de rir. Não vou dar mais detalhes senão estraga a surpresa para aqueles que forem assistir né ? 
Uma amiga me perguntou se eu tinha essas vontades,respondi que não, mas sabe que tenho sim... Não pular de pára-quedas, fazer tatuagens radicais, visitar lugares estranhos, mas eu posso listar algumas coisas, algumas bem surreais, bem sei, mas se é sonho, pra que economizar?
  • ü  Ter netos(as), coisa dificil, visto que os filhos são muitos novos e contra a instituição chamada casamento;
  • ü  Ver meus filhos encaminhados;
  • ü  Ir ao banco daqui 28 anos e 4 meses pagar a última prestação da Minha casa, minha dívida (hauhaua, malandra eu...)
  • ü  Vale querer ganhar na mega sena? Acho que não, nem jogo.
  • ü  Nunca mais sentir dor
  • ü  Nunca mais fazer quimioterapia;
  • ü  Nunca, jamais em tempo algum, ver meus filhos sofrerem;
  • ü  Nunca mais tudo aquilo pra todo mundo no mundo...
  • ü  Visitar a Igreja de Guadalupe novamente, Canção Nova
  • Escrever um livro: Dos nossos limões, ja até tava escrevendo, mas...
  •  ü  Cura; 
  •      Viajar.

 E esse é, digamos, o meu maior desejo no momento, viajar, sair daqui, esquecer disso tudo, mergulhar no mar e deixar lá toda essa nhaca. Fazer algo junto com minha família, mesmo que eu não aguente andar ou odeie areia, sol, queria vê-los e senti-los felizes, da-los algo que eles possam guardar na memória; que possam nos natais e encontros, rirem e saudosos perguntarem: Lembra daquela vez que viajamos com a mãe? Que a minha memória esteja ligada a eles com momentos felizes e isso queridos, não é ser pessimista, sabem que não sou assim, isto é ser realista.  Antes de partir, eu queria muito, muita coisa.Todo mundo pode e deve querer também, sem que isto configure um "desisti da vida, da luta, joguei a toalha". Jamais. Viver em toda sua plenitude deveria ser lei, o mundo deveria viver assim, consciente de nossa finitude e por isso viver, viver e viver...
Tenho sonhado, planejado, me aborrecido, pois há uma séria incompatibilidade entre o que quero, o que meu cartão pode e conciliar as férias do povo de casa, já que todos tem suas vidas né. Complicado sonhar sem esbarrar na realidade de absurdos muitos reais em uma diária, em morar quase mil quilômetros do Beto Carreiro e da praia mais próxima.  De qualquer maneira, tenho sonhado e que bom que ainda me é permitido, ao menos isso.
Beijos muitos

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Cabelos, verdades e mentiras. Ser mãe e ter câncer.

Acabo de ler um relato de uma mãe. Nele ela desabafa sua aflição por descobrir uma metástase , a volta as quimios, os medos e a preocupação com os filhos, em eles a verem perderem os cabelos. 
Então vem você e me diz que cabelos não são nadas, eles crescem e todo aquele blá, blá, blá de gente altamente espiritualizada e pra cima que não se encana com nada. Até que sejam os seus cabelos que caiam. Sinceramente não acredito que nenhuma de nós, não tenha se abalado com a perda dos cabelos. Não falo sobre o lado fútil da coisa entende? Porque pra muitos o motivo é bem torpe mesmo, supervalorizam essa perda e esquecem que o mal maior, o Câncer está agindo em algum lugar do corpo e que padrões de beleza não vão garantir sua vida, esta sim. A vida, é o que importa,

Falo da perda. Perder o cabelo para nós é mais um item na lista de tantas percas. Com o diagnóstico perde-se o chão, depois o sono, a tranqüilidade, a imunidade, dignidade, algumas partes do corpo, aquela certeza que isso não aconteceria comigo, e quando os cabelos caem, mais ou menos 21 dias após a primeira quimio, é como se a doença estivesse te afrontando, te dizendo: Oi eu to aqui, ela diz isso pra você a para sociedade, assim que colocas um lenço na cabeça, todo mundo já sabe que tu tem “a doença” , o sintoma mais aparente e que obriga as pessoas a não fingirem que não sabem que está doente. Então começa o coitadinha, ou o “em?, “Cuma”? a pessoa te vê, por acaso na rua óbvio, porque senão for assim, tu não vê amigo(verdade 1)e pensa: Cara..mbola, olha lá a Lilian, ela ta vindo pro meu lado, nossa coitada, ta careca, e agora o que eu digo, o que eu digo... E quando o encontro é inevitável, eu toda sorridente ( pq sou sempre assim) digo oi, e a pobre criatura que nunca viu um ser careca antes dispara. Oi Lilian, eu soube do seu problema (verdade 2), desculpe não ir te visitar, muita correria( mentira 1), e como esta o tratamento? Ela não te dá tempo pra responder (verdade 3) e já dispara, mas tu ficou linda de lenço( mentira 2 ou verdade 4 ), olha eu preciso ir( mentira 3) , mas qualquer coisa que precisar você me liga viu( mentira 4), e sai em disparada contente por me ver tão bem e feliz...(mentira 5), quando ainda diz que vai rezar por você, alegre-se, oração é o maior dos presentes.

Um adendo para explicações das mentirinhas
Mentira 1: Quando você é importante para uma pessoa não há correria que abone uma visita, existe e-mail, telefone, facebook e outra coisa, a gente não precisa ta perto pra ta junto ( copiei do Luan Santana, meu mais novo idalo), tenho amigas que estão do meu lado 24 horas e elas nem precisam sair da casa delas, ou estão comigo aqui, ou no pensamento, porque sei que posso contar. Estão incluídas nesse item ainda o: “tive medo de te achar mal”, “não queria te ver assim”, “eu não ia agüentar te vendo sofrer”. Ah, vai se lascar né. Helow, é a gente que sofre, vomita, caga, sente dor, é furada e os cambal. 

Mentira 2: Podemos ficar lindas de lenço, mas ninguém ta a fim de curtir essa nova moda; e essa mentira pode ser até verdade, porque eu nunca vi uma pessoa ficar tão linda careca como a Margaret do blog http://www.margaretss.com.br/, e sinceramente, eu amo meus lenços.( clique no nome dela pra ve-la careca)

Mentira 3: Pode ser que precise ir mesmo, mas geralmente é desculpa pra sair depressinha da sua frente e da realidade que tu significa, a doença chegou perto...



Mentira 4: Tirando raras exceções, amiga, não liga. Não liga porque você pode se decepcionar, a dita cuja arruma uma maneira de ter esse ou aquele compromisso, diz que o feijão ta no fogo e pede pra ligar depois, na verdade eles querem é fazer caridade por “transmimento de pensação” e olhe lá

Mentira 5: Sai correndo te achando feliz nada, tá é se iludindo pra não ter sentimento de culpa, vamos combinar que nenhuma de nós é “feliz” tendo câncer, mesmo tentando se-lo, na verdade a criatura sai feliz por te ver bem e não teres morrido, sem que ela fosse visitar. Evita crises existenciais dela mais tarde, delas, porque as nossas crises começam no momento do diagnóstico e tenho a impressão que não acabam mais.

Agora as verdades. Verdade 1: Os amigos some. Ou pelo menos diminói consideravelmente.
Verdade 2: Seu problema = Câncer, deuzolivre dar nomes aos bois, a doença ainda é um estigma.
Verdade 3: Quando te perguntam como está, a resposta tem que ser , to bem. Ninguem tem a paciência de ouvir nossos ais, não entendem, por isso entre blogueiras e comunidades nas redes sociais, é tão comum termos amizades tão sólidas, mesmo que nunca tenhamos nos visto ou tocado, é a empatia que uma faz com a outra. Nos sabemos, nos entendemos. ( Salvo algumas loucas paranóicas que se acham as vítimas do mundo, essas BLOQUEIA)

Verdade 4: Ficar careca não é o fim do mundo e podemos sim ficar lindas, ou como diz minha amiga Sabrina, termos cabelos coloridos, eu gastei mais em lenços do que em cabeleireiros, não por vaidade, mas porque me apaixonei por eles. Assim como a careca era símbolo da doença, os lenços eram tipo, sabe aquela cena do filme Rambo em que o Silvester estalonge amarra a bandana na cabeça e vai pra luta? Eu amarrava o lenço e ia pra minha luta, era meu símbolo de guerreira.


Voltando ao assunto da careca... Porque tem muito mais verdades e mentiras nesta questão do que supõe nossa vã filosofia.

Estar careca é basicamente isso, mostrar a cara da doença para fora do seu corpo, as pessoas olham, murmuram, e quando essa mãe contou da aflição dos filhos em vê-la careca, eu pensei nos meus, os maiores ficaram tristes, mas levaram na boa, a de Gabi que hoje tem 10 anos, percebi que tinha vergonha e tentei fingir que não me incomodava com isso, e o menor, ele convive com o cai e volta dos cabelos da mãe, desde os 2 anos. Fomos juntos cortar os cabelos, ele faz carinho na minha careca pra eu dormir, isso tornou-se algo normal. Ver a mãe sem os seios, passando mal, indo a médico, ( ele até adora quando vou, pois fica com a tia-avó que lhe faz todas as vontades); mas tem coisas que incomodam ele, o fato de eu estar gorda, com barrigona . Quando essa mãe relatou sua angustia, eu tive uma baita vontade de abraça-la, contei a ela do meu “!problema” e de uma coisa que aconteceu comigo.
Matheus me pediu pra ir no medico e tira essa “comida” da minha barriga, eu ri, e fiquei envergonhada, porque é uma coisa que me incomoda mesmo muito, como não tenho seios, ela ficou muito grande como gravidez, confesso que já pensei que tem coisa, mas a medica me disse que são os remédio.Como ela não parava de insitir no assunto, eu contei que também não gostava e que era os remedinhos que faziam isso. Disse: Você ta vendo os cabelinhos da mãe crescendo? E mamãe não vomita mais, ta ficando boa né? Então, não é melhor o papai do céu vai deixar a mãe barrigudona aqui com o Teteu, do que levar ela lá no céu. Ele pensou e disse é. E pronto acabou o assunto. Dasveiz, subestimamos nossos filhos, que sendo filhos de uma guerreira, também os são. Eu já fui salva pela sabedoria deste anjo de 5 aninhos, muitas vezes. Quantas vezes, estirada no chão,olhei pra foto dos quatro e me levantei.
Mãe também precisa de carinho e colo, deita no colinho deles, conta a verdade (não precisa ser toda ela), confia na sua criação, tira a redoma de vidro deles, para que não se tornem medrosos lá no futuro e corram de seus amigos que por ventura tenham a desventura de terem câncer ou qualquer outro mal. 
Beijos amadas, eu to com uma novidade aqui, a língua, digo, os dedos, estão coçando pra eu contar,mas vou esperar dar certo tá... beijos, beijos e a paz do Senhor Jesus a todos.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Solte a panela


A primeira vez que li este texto, ainda fazia magistério, lembrei dele porcaudiquê, não estou conseguindo desapegar de umas coisas e por ver tanta gente fazendo o mesmo, pior, agarrando uma panela que só te traz sofrimento e dor. Então resolvi postar pra todas refletirem um pouquinho sobre nossas atitudes!
Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento.
A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores.
Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida.
Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.
Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo. 
Na verdade, era o calor da tina...
Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.
O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.
Começou a urrar muito alto.
E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.
Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida.
O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.
Quando terminei de ouvir esta história, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes.
Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero.
Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.
É necessário reconhecermos, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai nos dar condições de prosseguir.
Tenha a coragem e a visão que o urso não teve.
Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder.
SOLTE A PANELA

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Novidades novas...

Eu sei , eu sei... eu demorei postar.
Desculpa-aí, a tal astenia, nome bonito pra preguiça, não me larga, to lesadinha.
Mas vamos as novidades novas meninas e meninos. No ultimo capitulo, ops, digo, no ultimo post que falei de mim, contei sobre a tal astenia, o fim das rádios e meu medos. Foi como se tivesse colocado a minha vida em suspenso, pois tinha sentido dores e estava com uma tosse chata e a médica pediu raio x do pulmão, foi o suficiente pra eu ficar meio assim, será? Será? Não, sim, não. Hauhauahaa
Fiz os exames na sexta e na segunda fui a consulta, esta tudo bem comigo, exames de sangue normais, niveis de calcio normalizando, de potassio, magnézio, plaquetas, leocócitos, enfim, todos estes infratos que estavam me abandonando, estão voltando, e no pulmão? Nadica de nada, o melhor é o sorriso de minha médica linda dizendo de sua felicidade em me ver bem. Os cabelinhos( inclusive os brancos) estão nascendo finos e mais ralos, soube que é por causa do remédio.
Nem tudo são flores, eu levei uma lista de que senti durante este mês, amortecimento das pontas dos dedos das mãos e dos pés, o que me dificulta caminhar, porque não sinto o pé apoiado no chão. Sinto vertigens, tipo crises de labirintites, perco o equilibrio motor, pusque o emocional já perdi faz tempo né, literalmente fico capotando por ai; além de ter ficado caduquinha, não lembro do nomes das coisas, do que estava falando a segundos atrás, onde guardei celular, chaves, óculos, ( isso não me preocupa, eu sempre fui esquecidinha) mas quando estes dias sai e não conseguia atravessar a rua ou me lembrar pra onde ia. Chorei. Com a metastase na calota craneana,  já pensei...Essa imundisssa ( nome que dou ao CA) ta querendo me tirar o restinho de juizo, só pode.
Relatei tudo e Dra Sara fez alguns testes, e concluiu que são reações do remédio (Anastrazol), conversando com a farmaceutica, ela me disse que a tendência é que os efeitos colaterais melhorem, então o negócio é ter paciencia e contratar uma babá.
Isso mesmo, sair só com compania, não posso arriscar de cair e lesionar a coluna que ainda não calcificou; nada de exercicios pra não forçar os ossinhos, (adorei essa parte), e quanto a se perder por ai, Guaira é pequena, todo mundo sabe onde moro e me devolve pro Dir. Não gosto, não acho graça, mas antes uma desmemoriada desiquilibrada viva que quimios, enjoos, falecimentos.
Esse vazio na minha cabeça, essa dependencia me incomoda, me senti meio culpada por reclamar, diante do que já passei, isso nem é nada. Deveria é agradecer, soltar fogos e ficar feliz, feliz, porque, tirando essas coisinhas, está tudo bem comigo. Mas ser humano é ser humano né. Direito ou não, não gosto, mas sei que vai passar.
Quero me desculpar pela demora em postar e minha ausência fisica, to meio fora da casinha, mas to ligadona viu. Sinto falta de vocês, de mim, do blog. Acredito que Deus não faça a obra pela metade. 
Beijos mil