domingo, 5 de agosto de 2012

Não é porque é meu estado, mas é uma ideia digna de ser copiada por todos os outros estados.


Paraná lança "Agosto Azul" para promover a saúde do homem


No Brasil, a cada cinco mortes de adultos com idade entre 18 e 30 anos, quatro são de homens. A predominância dos homens nessa estatística deve-se a dois fatores principais: violência e pouca atenção à saúde. Para tentar reverter o quadro e alertar a população masculina para a manutenção de hábitos saudáveis, o Governo do Estado instituiu o "Agosto Azul", mês dedicado a fortalecer as ações de prevenção e promoção da Saúde do Homem.
Divulgacao
Alerta para saúde do homem neste mês de agosto
Este será o primeiro ano da mobilização do Agosto Azul, que seguirá os moldes do Outubro Rosa, dedicado a promover mundialmente ações preventivas do câncer de mama. "O objetivo é fomentar uma mudança cultural, fazendo com que o homem tenha menos resistência em procurar um médico e passe a verificar com mais frequência suas condições de saúde", explicou o secretário da Saúde, Michele Caputo Neto.
Exames simples como testes para diabetes, hipertensão, aids e hepatites estão disponíveis na rede pública de saúde e podem identificar doenças ainda em seus estágios primários. "Quando o homem procura um serviço de saúde, muitas vezes é porque a doença já se manifestou de forma severa. A busca pelo médico deve ser anterior a isso e em caráter preventivo", disse o secretário.
Durante o todo o mês, serão promovidas atividades como audiência pública, debates, oficinas, feiras de saúde e atividades culturais de conscientização. "Contamos com o apoio de empresas, escolas, igrejas e órgãos públicos para difundir essa ideia", afirmou o coordenador estadual da Política de Saúde do Homem, Rubens Bendlin.
Cerca de 200 mil materiais educativos foram produzidos e estarão à disposição na próxima semana. Os interessados em apoiar o Agosto Azul podem retirar os cartazes e panfletos em uma das 22 regionais de saúde do todo o Estado.
A Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) vai divulgar em 4 milhões de contas de luz uma mensagem educativa sobre saúde do homem. A campanha será estendida ainda para cerca de 9 mil funcionários pela intranet.
Na próxima quarta-feira (8), será lançado pelos Correios selo comemorativo do Agosto Azul. O evento marcará o início oficial das atividades e acontecerá na Assembleia Legislativa, às 9 horas. O Agosto Azul foi estabelecido pela Lei 17.099/2012, de 28 de março.
MORTALIDADE – No Paraná, estatísticas mostram que os homens vivem em média seis anos menos que as mulheres (71,6 anos os homens e 77,9 anos as mulheres). Em 2010, as causas externas foram responsáveis por 41% das mortes de homens adultos no Paraná. "Esta faixa etária está mais exposta a acidentes de trânsito e violência interpessoal", explicou Bendlin. Dentre as causas externas também se destacam os acidentes de trabalho. "Profissões da área de construção civil, transportes e segurança são predominantemente masculinas e têm altos índices de periculosidade", diz.
A segunda causa de morte mais frequente está relacionada às doenças cardiovasculares (infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, hipertensão, diabetes), seguidas das diferentes formas de câncer. "A prevenção de todas essas doenças está ligada a mudanças de hábitos de vida, que é o principal ponto a ser difundido durante o Agosto Azul", destaca Bendlin.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Informativo interessante.

O Instituto Oncoguia se utilizou mais uma vez da Lei de Acesso à Informação, e solicitou esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre cinco Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDTs) publicadas entre junho e julho de 2012. 

Relativas aos cânceres de Pulmão, Cólon e Reto e Fígado no Adulto, ao Linfoma Difuso de Grandes Células e ao Tumor Cerebral no Adulto, as DDTs, segundo o Comitê Científico do Instituto Oncoguia, “estão compatíveis com as bases científicas aplicadas internacionalmente”. No entanto, a entidade tem dúvidas e preocupações sobre alguns dos pontos tratados. Por exemplo, com relação à obrigatoriedade ou não dos hospitais habilitados em oncologia pelo SUS seguirem tais diretrizes e à necessidade de revisão das APACs com a publicação das novas DDTs.

Abaixo, o documento protocolado pelo Instituto Oncoguia no dia 11 de julho e as respostas do Ministério da Saúde, enviadas à entidade no dia 24 do mesmo mês. 

Passados quase dois anos da realização de Consultas Públicas submetidas pela Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (MS-SAS), foram, enfim, entre junho e julho de 2012, publicadas as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas para os seguintes tipos de cânceres:

Tumor Cerebral no Adulto (Portaria MS-SAS nº 599, de 26/06/2012)
Câncer de Pulmão (Portaria MS-SAS nº 600, de 26/06/2012)
Câncer de Cólon e Reto (Portaria MS-SAS nº 601, de 26/06/2012)
Câncer de Fígado no Adulto (Portaria MS-SAS nº 602, de 26/06/2012)
Linfoma Difuso de Grandes Células (Portaria MS-SAS nº 621, de 05/07/2012)

Muito embora reconheçamos o fato de essas Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas estarem compatíveis com as bases científicas aplicadas internacionalmente, alguns pontos ainda nos causam dúvidas e preocupações.

Consta de todas as DDTs publicadas a seguinte observação: 

“Exceto pela Talidomida para o tratamento de Mieloma Múltiplo e pelo Mesilato de Imatinibe para a quimioterapia do Tumor do Estroma Gastrointestinal (GIST), da Leucemia Mieloide Crônica e Leucemia Linfoblástica Aguda cromossoma Philadelphia positivo, o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde não padronizam nem fornecem medicamentos antineoplásicos diretamente aos hospitais ou aos usuários do SUS. Os procedimentos quimioterápicos da tabela do SUS não fazem referência a qualquer medicamento e são aplicáveis às situações clínicas específicas para as quais terapias antineoplásicas medicamentosas são indicadas. Ou seja, os hospitais credenciados no SUS e habilitados  em Oncologia são os responsáveis pelo fornecimento de medicamentos oncológicos que eles, livremente, padronizam, adquirem e fornecem, cabendo-lhes codificar e registrar conforme o respectivo procedimento. Assim, a partir do momento em que um hospital é habilitado para prestar assistência oncológica pelo SUS, a responsabilidade pelo fornecimento do medicamento antineoplásico é desse hospital, seja ele público ou privado, com ou sem fins lucrativos.” (grifo nosso)

Essa observação nos faz crer que, independentemente de o MS recomendar determinado tratamento de acordo com a DDT, o ressarcimento do hospital que trata o paciente continuará seguindo a APAC (Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade). Ou seja, muitos procedimentos constantes das DDTs permanecem impraticáveis, pois médicos ainda terão que se restringir a prescrever procedimentos diagnósticos e terapêuticos cujos custos caibam no valor das APACs. Assim, em última instância, as APACs determinarão o padrão de tratamento, apesar de existirem DDTs. Nesse ponto, parece-nos que as DDTs propostas representam um custo de tratamento muito, muito superior ao que as APACs remuneram. 

Sendo dessa forma, parece-nos que todas as Diretrizes publicadas pelo Ministério da Saúde contrariam o disposto na Lei nº 8.080/90, com as alterações promovidas pela de Lei nº 12.401/11, em especial o artigo 19-M, o qual assegura que a assistência terapêutica integral consiste em dispensação de medicamentos e produtos de interesse para a saúde, cuja prescrição esteja em conformidade com as diretrizes terapêuticas definidas em protocolo clínico para a doença ou o agravo à saúde a ser tratado.

Diante dessas preocupações, solicitamos esclarecimento às seguintes dúvidas apresentadas pelo Comitê Científico deste Instituto:

1. Os hospitais habilitados em Oncologia pelo SUS estão obrigados a seguir essas Diretrizes? Em outras palavras: os pacientes com câncer terão garantido o acesso aos recursos diagnósticos e terapêuticos previstos nas Diretrizes publicadas pelo MS-SAS?
Sim, todos os procedimentos diagnósticos e terapêuticos são encontrados na tabela do SUS. E as diretrizes são orientadadoras do que tem ou não tem validade técnico científica. A partir delas, os hospitais podem estabelecer seus protocolos.

2. O valor repassado aos hospitais de acordo com a Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS suportam a execução das Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas estabelecidas? Esses valores foram (ou serão) revisados após a publicação das Diretrizes?
 Os valores dos procedimentos radioterápicos e quimioterápicos da tabela do SUS foram revisados e os vigentes são aqueles publicados na portaria SAS 420, de 25/08/2010. Os procedimentos cirúrgicos oncológicos encontram-se sob atualização e serão igualmente publicados.

3. Como se dará o controle sobre a observância pelos hospitais das Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas publicadas pelo MS-SAS?
 Anualmente, a SAS analisa a produção dos procedimentos em oncologia, calcula os indicadores oncológicos e os encaminha para o controle, avaliação e, se indicada, auditoria das respectivas secretarias de saúde gestoras. 

4. Por que não estabelecer prazos máximos para realização de procedimentos (cirurgias, exames, radioterapia, quimioterapia, etc.), a exemplo do que fez a ANS para o mercado de saúde suplementar (Resolução ANS nº 259/2011)?
 Os prazos aceitáveis variam com a localização e o tipo tumorais e com a condição dos doentes. Veja o projeto de emenda substitutiva global Projeto de Lei Nº 3.887-B, DE 1997, que dispõe sobre o primeiro tratamento de paciente com a neoplasia maligna comprovada e estabelece o prazo para seu início. 

5. Considerando a existência de diretrizes internacionais seguidas amplamente pelos oncologistas brasileiros, como é o caso daquelas publicadas pelo NCCN (National Comprehensive Cancer Network, www.nccn.org), que indicam, inclusive, a qualidade do dado científico que subsidia cada indicação de tratamento, por que não encurtar o trabalho dos técnicos do Ministério da Saúde e simplesmente traduzir diretrizes do NCCN, e limitar o quanto estas diretrizes poderão ser seguidas com base na disponibilidade financeira?
 Porque os guidelines de um país, de um hospital ou de uma sociedade ou associação de especialistas não podem ser simplesmente traduzidas e aplicáveis e qualquer outro país ou mesmo entre hospitais. Ver os critérios adotados e as normas que regulamentam a avaliação de tecnologias em saúde e a incorporação no SUS (ver as páginas eletrônicas do DECIT/SCTIE/MS e da Conitec na Internet). 

6. Por que se privilegiou a elaboração de Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas para cânceres de baixa incidência (como o câncer cerebral no adulto, que representa apenas 2% dos cânceres incidentes no Brasil), enquanto que cânceres de alta incidência na população brasileira, como é o caso do câncer de mama, permanecem sem diretrizes definidas?
 O Ministério da Saúde estabelece Protocolos Clínicos e Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (PCDT para assistência farmacêutica no SUS ou DDT para assistência oncológica SUS) em três situações: estratégica, identificação de má prática assistencial e identificação de desvios nos registros nos sistemas de informação do SUS. Note-se que em 2012, foram publicadas as portarias 114 (DDT da Leucemia Mieloide Crônica de Crianças e Adolescentes), 115 (DDT da Leucemia Linfóide Aguda Cromossoma Philadelphia Positivo em Crianças e Adolescentes) e 458 (DDT do Adenocarcinoma de Estômago). Outras diretrizes, como a do câncer de mama, encontram-se em elaboração).  

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Tudo que desejo pra mim e a nós todos.

Tá eu confesso, eu gosto das musicas do Luan, não tem duplo sentido, não são perversivas, e meus filhos adoram, mas depois de ver esse clip. Nossa. Uma coisa muito linda mesmo, é tudo que eu desejo a todos nós. Lance fora os preconceitos e olhe o clip.

Emocionante! Novo clipe do Luan Santana mostra a história de um casal combatendo o câncer!

Uma breve história contada através de um clipe da nova música do Luan Santana.
Considerem como mais uma motivação em lutar contra o câncer sem deixar de viver um grande amor.



A gente não precisa tá colado pra tá junto... 
Tamu junto. Sempre!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Astenia...

Tá, eu confesso...
Eu vinha todos os dias aqui, mas não tinha coragem de escrever. Estou numa preguiça retada, ao mesmo tempo, com aquela vontade de fazer um monte de coisas. Ai não consigo e me frustro. Tenho muitas idéias para os posts, só que a cada dia recebo mais mensagens, mais amigos novos por aqui e fico com medo de escrever baboseiras e perder meus fãs, hauahuaha.
Bem, vamos as noticias, acabaram-se as radioterapias, foram 15 dias indo e vindo todos os dias, acordando de madrugada, então eu fiquei bem, mas beeem cansada mesmo. Mas estou feliz que tenha terminado. Diferente de como foram nas mamas, ( 33 sessões cada) na coluna foram 10 sessões, segunda a radiologista, elas podem ser em menor quantidade, mas são mais intensas, me deu alta, mas pediu que durante 3 meses eu tenha cuidado, pois meus ossos estão frágeis , o câncer retira deles todo cálcio, podendo rompe-los, como não tenho mais ovário, não há reposição, o que faço é tomar diariamente capsulas de cálcio e a aplicação uma vez ao mês do tal pamidronato.
Ganhei flores, muitos parabéns pelo término das rádios, mas estava amortecida, esquecida, sei lá, eu via as pessoas felizes e não conseguia atingir o patamar da felicidade delas por mim, talvez porque já passei por isso outras duas vezes e nesse negócio de acabou, sempre ficar um será?
É a primeira vez em muito tempo, que estou tendo uma folga, e eu sei bem o que fazer com ela, claro, mas entre o que pensa minha cabeça e o que minhas pernas e corpo aceitam, tem uma distancia, mas logo um encontra o outro. Dá aquele medinho né, como seu eu fosse a qualquer momento ser surpreendida com uma noticia ruim, depois de tantas surpresas desagradáveis. Mas eu não fico paranóica, só reflexiva...
Um medo de voltar tudo, um medo de recomeçar, um medo sem razão de ser. Mas há uma explicação para isso, é a tal Fadiga Oncológica. Passa, como tudo em nossa vida.
Beijos de saudades, abraço preguiçoso e um bocejo...
Pra quem quer saber mais sobra essa tal fadiga, releia meu post aqui:

domingo, 15 de julho de 2012

As coisas que ganhei quando perdi.

Louco isso não? Estou lendo um livro: Tempo de esperas do Padre Fábio de Melo, ainda não terminei, tenho dificuldades em me concentrar e fazia tempo que não lia, coisa que sempre amei fazer. No livro há uma troca de cartas entre um professor e um jovem estudante que quer compreender o tempo das esperas. No começo achei ruim, mas como fã de Fábio de Melo, fui ler , há que se ler nas entrelinhas, fazer o paralelo, entre os personagens e o que passamos. Um parágrafo me instigou. Perdas diferentes, ensinamentos iguais. Perder é uma forma de ganhar. É só olhar o avesso da derrota. Há ensinamentos que sobrevivem velados em locais estranhos. Vitória na derrota? Claro que há. É só modificar o jeito como olha para a realidade. (Tempos de esperas. Pe. Fábio de Melo, pág 31.)
Toda perda assume um ganho (...) No livro o jovem perdeu um amor, o velho professor a esposa. Então fiquei pensando, filosofando, o que perdi? Ganhei algo com minhas perdas? E a resposta foi sim.
Sim. Tive perdas sem volta e perdas temporárias. Perdi os seios, a saúde, os cabelos, a vitalidade,a vaidade, algumas vezes até a dignidade; me perdi de mim mesma; perdi a convivência com meus alunos, meus amigos, minha família; perdi a inocência de achar que todo mundo me via como a amorosidade com que eu os via; perdi dias de sol, de chuva e/ou lindos, deitada em minha cama; perdi noites de sono com dor e aflições; derramei rios de lágrimas por tais perdas e pelas que achei que perderia. Nunca mais fui a mesma, nada mais passou por mim sem deixar algum tipo de marca, medo ou frescor. Fui ao fundo do poço, me enterrei em desespero, me escondi de medo, tive medo de sentir medo. Medrei. Perdi. Chorei. Teve dias em que morri, que desejei morrer, que implorei pra não morrer. Sobrevivi. Vivi.
enfermeiras da quimioterapia
Depois de tudo isso, como posso afirmar que ganhei com minha perdas? Ganhei. A doença me fez caminhar por um caminho diferente, me resgatou de uma vida louca de trabalho incessante, trabalho este que amo e me faz muita falta, mas para qual dedicava tempo demais. Tempo. Esta aí mais um ganho. Embora eu tenha meu tempo ameaçado, entendo que nenhum de nós pode dizer quanto tempo tem e por isso mesmo devia viver de maneira que não houvesse arrependimentos. Posso ter na doença uma ameaça aos meus sonhos futuros, mas nem por isso devo deixar de sonhar. Idealizar, estabelecer uma meta, um querer para o amanhã. Ganhei vontade de viver, ganhei sabedoria em valorizar um sorriso, um beijo, um abraço, uma visita, um presente; ganhei sentir felicidade verdadeira em poder levantar o braço, levantar da cama, lavar um prato, lavar os cabelos(mesmo os poucos fios), abrir os olhos e perceber-me viva.
Quando perdi amigos, foi que ganhei os melhores. Quando me senti abandonada, ganhei colo de pessoas maravilhosas . Quando perdi meu direito de ir e vir, foi quando alcancei as maiores distancias, conhecendo lugares e pessoas maravilhosas, distante geograficamente, “ajuntados” pela doença sim, mas não só por ela, pelo carinho, pela dor, pela empatia, pela troca, pelo guaraná, face , blogs, sala de espera.
Dr. Vinicus Fisioterapeuta
Quando adoeci, quando tive que mudar meu caminho, foi que encontrei  pessoas maravilhosas,  profissionais queridíssimos que cuidam de mim de maneira impar, anjos como as enfermeiras, atendentes, fisioterapeuta, assistentes sociais, psicólogas,radioterapeutas e técnicos, médicos enfim, toda equipe da Uopeccan em Cascavel,pessoas que me fazem esquecer a distancia percorrida, a dor sentida, como minha médica que amo feito mãe, embora dela, mais filha seja.
Dr. Fernando L. Motter
Dra. Sara e seus zoios
que alumeiam minha vida.
Quando o caminho ficou difícil, foi que consegui ver a beleza da paisagem. Quando a dor era maior que qualquer sentimento, a ausência dela era o êxtase.
Quando o espelho teimava em me mostrar quem não reconheço,houve quem visse beleza em mim. Quando me sentia a mais infeliz e fraca das pessoas, a guerreira se fazia presente através da admiração de pessoas que jamais supus.
Ganhei mais que perdi. E embora as percas sejam grandes e significativas, não maldigo minha sorte, não dou graças a Deus por ter câncer, mas dou por aprender com ele, por ele ter passado por mim e ter me modificado, moldado, melhorado.
E quer saber? Se está lendo este post agora, com certeza, é um dos meus ganhos, dos meus bens adquiridos,o melhor do meu ruim. Pois quem me visita neste refugio, são os que sabem de mim, que me querem bem e eu te agradeço por demais por estar em minha vida, por fazer dela mais leve, mais bonita,alegre, por me sentir tão querida. Por me animar, reavivar as esperanças, fortalecer a minha fé.
Um beijo estalado, abraço apertado e minha prece para que os dias sejam cheios de esperanças e abençoados pela graça de Deus. A quem tudo devemos, pelo qual tudo podemos , pelo qual suportamos todas as perdas e de onde vem todas nossas vitórias.


Ps: Eu gostaria de ter fotos de todos pra por aqui, sintam-se todos devidamente fotografados e publicados.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Semana cansativa...

Olá queridos, esta foi uma semana bem cansativa, mas olha, produtiva também. Agora só faltam 3 sessões de radioterapia e as dores tem melhorado muito, as próprias atendentes notaram, pois eu chegava lá e ia deitar na maca, na quarta já não precisei mais. Ruim mesmo só o cansaço da viagem, mas eu resolvi ir e vir todos os dias, assim fico mais em casa com as crianças e de olho no pessoal que estão de férias. Tenho me aventurado na cozinha e eles adoram, pois sentiam falta da gourmet aqui.
Hoje consultei, minha médica ficou feliz em não ter aparecido nenhuma lesão nova depois destes dias sem quimio e ela espera que só o anastrazol, faça a doença parar de avançar, quem sabe sossegar. Vou fazer um raio x do pulmão, to meio ronqueta, mas eu creio que seja por causa da rádio, assim como o cansaço. Em geral estou bem mais disposta, me animando em voltar a fazer meus artesanatos e coisinhas, por enquanto é o que posso, nada de escola; eu nem queria mesmo...
Pela primeira vez em meses eu tenho esperanças reais, até de cura; embora a medicina me diga que isto não me pertence mais, o meu Deus tudo pode e se Ele quiser, me dará ossos novos. Dia 17 fará um ano que me mudei e tem muita, mas muita coisa por fazer, muito caixote de feira pra lixar, coisa pra jogar fora (quando o Dir não estiver em casa , porque ele guarda tudo de novo, segredinho nosso!), me disseram que vontade de faxinar é defeito colateral, kkkk deve ser, mas ainda está tudo na zona dos planejamentos, pusque os fazimentos , precisam das minhas teimosas pernas. Mas já tá bom demais ...
Foi uma semana de emoções, recebi visitas queridas, me surpreendi em saber de pessoas que jamais pensei que leriam o blog, ganhei uma promoção de um blog, ganhei “carona” pra cidade onde faço tratamento de gente que nem na esquina sairia; favores de pessoas queridas. Continuo reflexiva, mas volto pra falar sobre, depois. Agora preciso ir ali descansar um tiquinho. Beijos queridos e me perdoem pela ausência, prometo que volto e bem. Beijos

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Radioterapia. Percas, reflexões...

Helow amigos...
Poxa eu to bem devendo um post, sei disso, sumi. Estava totalmente sem idéias, sem motivação, sem vontade de nada e ao mesmo tempo de tudo. Fiquei assim meu bad. Não era depressão, nem tristeza,  era ausência de tudo. Acostumada a rotina de quimios, os dias livres me deixaram meio sem rumo, é como se eu tivesse uma depressão pós término de quimio, kkkk.
Aos poucos as forças foram voltando e eu pude até fazer uma faxina básica nos armários, gavetas e afins, sabiam que aquela vontade incontrolável de bancar a empreguete  é defeito colateral ? É muito bom fazer o mínimo possível, quando não podíamos fazer nada.
O anastrazol tem me dado ainda os calorões, sede e amargor na boca. Deixei o remédio pra dor um pouco pra poder manter a sobriedade nestes últimos dias, pra ver meu bebê dançar.
E na quarta fui a consulta com a radioterapeuta, ela prescreveu 10 sessões, segundo ela, o câncer vai lesionando e retirando o cálcio dos ossos, a radio calcifica os ossos. Fiz a marcação no mesmo dia, infelizmente a noite, meu tio, irmão de minha mãe faleceu, enfarto. Foi uma correria, uma tristeza sem tamanho. Na quinta foi o enterro, não fiquei até a hora mais triste, sabia que seria uma choradeira e desespero sem tamanho.  Me expliquei a tia e aos primos e fui pra cidade onde faço tratamento, fiz a primeira sessão ontem e hoje pela manhã a segunda. Faltam 8. Será bem difícil, pois tenho que ficar lá a semana toda, sem net, sem os filhos e na semana de férias deles, mas passará rápido desta vez.
Estou meio que fora do ar, não sei, parece que as coisas que vejo e vivo, não passam por mim, vejo e não sinto mais como sentiria tempos atrás. No velório do tio fiquei pensando na morte, olhava as pessoas e as diversas formas de lidar com a perda, do pai, do irmão, do tio, do avô. Todo velório que se preza tem a rodinha dos piadistas, os escandalosos, os culpados, e tem reencontro. Familiares que não vemos a séculos e que nunca se encontram, porque moram longe, não há grana pra viagem, não tem tempo e etc, etc. Mas então morre alguém e o povo desaba de onde for pra vir, arrumam tempo pra visita, mesmo que o visitado não possa mais te receber. Também eu deixei de visitar meu tio, me fechei em conchas, vivi só pro meu pesar, pra doença, mas estava lá pra me despedir. Revi parentes e estes, puderam me ver e lembrar que não me visitam, e ainda assim me verem linda e loira. Ta, gorda, careca e com dor, mas bem. Juro que não escrevo isso com nenhum tipo de mágoa. É pura reflexão. Estou assim, filosófica, reflexiva, que é o outro nome dado a apatia, mas abafa o caso.O que importa é que meu tio estava sereno, com a feição linda, que comecei as rádios e que a vida continua. 
Comigo fazendo rádios, o esquema é o seguinte, não se desesperam, não surtem, não estranhem meu sumiço durante a semana. Net agora só nos fins de semana, pois a pensão que ficarei não tem wiriless. Tentarei sobreviver, vou usar este tempo sozinha comigo mesma pra escrever e refletir um pouco mais...
Beijocas
Ah, tem alguém que precisa visitar, ligar, dar um oi, um beijo, um abraço. Faça isso. Já dizia o grande Renato Russo:

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ai que calorão...

To numa vontade de escrever, mas tem muita coisa em minha cabeça e tanto assunto que acaba não saindo é nada.
Então vim falar do que me aflige, a dor. Funciona "anssim", eu tenho dor, ai ou tomo morfina e fico fora do ar e não quero ficar dormindo o tempo que tenho ( e ultimamente ando tendo tempo demais) ou tomo um remedinho do mal chamado Gabapentina. Pois bem , li a bula, medrei, mas a dor me convenceu a tomá-lo, fiquei boa e me atrevi a ficar um dia sem o dito cujo, resultado? Dor de novo, então, volta dona gabá...
O problema é que depois de umas 4 ou 5 horas de ingerido, eu começo a ficar molinha, molinha, fora da casinha de tudo. Alguém ja teve crise de labirintite? Pois é bem isso, fico sem direção e o povo aqui em casa anda assustando com meus surtos. Não gosto disso de jeito nenhum, mas não há remédio, quer dizer, não há jeito, tem que tomar o bendito remédio, porque só ele me tira toda dor. Aliado a isso estou tomando o Anastrazol, e juntamente junto com a "menopausa induzida" depois da retirada do ovário, é calorão, é TPM mega-plus-master-big-power monstruosa, calorão, é pé gelado,gosto de cabo de guarda chuva na boa, calorão, falta de apetite, tristeza e eu já disse calorão? Isso que aqui está frio, todo mundo de coberta e eu suando. Ai como eu sofro...
Ando com tanta vontade de fazer algo e agora que tenho um pouco mais de tempo, fico por ai bebinha da silva-ssauro. Sem as quimios e o tratamento pesado ( viva \o/), minha agenda anda com lacunas e não a tenho preenchido. To com tanta vontade, tanta sede de viver. Uma vontade de catar os meus pincéis, fazer decoupagem em tudo que vejo, ajeitar minha casinha que a um ano me espera,mas cadê pernas pra isso?
Paciência é a palavra, sempre nessa caminhada. Só que to muito nervosinha pra ter isso. Ainda estou com vestígios de assassina em série, mas já passei por isso e sei que isto acabará.
Hoje pelo menos me aconteceu uma coisa bem legal, fui sondada para uma entrevista de uma grande empresa farmacêutica, não sei ainda nada do teor da entrevista, só fui sondada, mas assim que souber, me exibo, ops, eu divido com vocês...
Preciso ir, ja to sentindo a cabeça pesaaaada, num to tintindo mais nada...Só calorão...Pior que, para tristeza do marido, o calor , não é calor na bacurinha como todos maridos gostariam que fosse, outro defeito colateral, e esse eu não encontrei a bula, ou manual de instrução , só essa figurinha ai ao lado em que o lado A encaixa no lado B, mas não veio explicado onde encontro o lado A e o lado B, nem como fazer o lado B, querer o lado A. Nem como fazer pro lado A chegar ao lado B na secura que o lado B anda tendo, porque tiraram o lado C do lado B e o lado A se ferrou nessa porque... Vixi, mi si confundi toda agora.
Volto outro dia que não estiver tão confusa... Beijos

terça-feira, 26 de junho de 2012

Terapia combinada melhora sobrevida de mulheres com câncer de mama metastático

Um anônimo, ( obrigaduuu anônimo) me deu a dica da entrevista lá embaixo, e fui procurar, achei essa reportagem, achei super interessante, porque já tomei o exemestano. Agora tomo um tal de anastrazol e gente, eu to mais chata do que a coisa mais chata deste mundo, a médica já tinha me avisado que teria calorões, nervosismo, variações de humor, como eu já estava assim, não achava que ficaria pior, e ficou. Fico pros cantos, que é pra não assassinar ninguém sem justa causa.


A boa noticia é que estou sem dores, doutora me deu uma tal Gabapentina, li a bula e morri de medo de tomar, mas como a dor era maior, arrisquei. Uffa!!! Foi uma alivio só, sem dores, maaaaaasssss, eu fico meio fora da casinha. Um dos efeitos colaterais é anorexia(yes), e ataxia, que quer dizer que a pessoa perde seu equilibrio, o motor, porque o mental e o emocional já perdi faz tempo né. Então eu ando por ai cambaleando feito beubada, com babá do lado e isso também me irrita, me irrita ficar sozinha, me irrita ver a casa suja, e me irrita limpar a casa, me irrita não ter nada pra fazer , me irrita ter que fazer alguma coisa, me irrita ter que ficar em casa, me irrita sair e as pessoas me olharem feito ET, porque estou com lenço ou de máscara, me irrita ficar com fome, me irrita nao ter apetite, me irrita cozinhar, me irrita, me irrita, coff, coof, desculpa ai gente, eu ando meio irritadinha, hauhauahauhauahauah Mas sem dores e com muita esperança que agora seja diferente. Amanhã vou a consulta na radioterapia, vamos ver no que vai dar. Eu precisava de férias, tipo Caribe, mas não dá né. Preciso de compraterapia, mas Paraguai ta na maior crise, e minha conta bancária em crise maior ainda, então vou de chocolate mesmo. Beijocas amigos, volto assim que fizer picadinho de alguém.



Ah, adoro os comentários e esta semana até conheci uma moça de bem pertinho de mim, mas por favor anônimos que não queiram ficar anônimos, coloca nominho embaixo das postagens pra eu poder agradecer... Olha que eu te pego na esquina em...





Resultados mostram benefício de seis meses a mais de sobrevida livre da doença em mulheres tratadas com Everolimus e exemestano. 

Pesquisadores da Universidade do Texas MD Anderson Cancer Center, nos Estados Unidos, descobriram que a combinação do medicamento Everolimus com a terapia hormonal exemestano melhora drasticamente a sobrevivência de pacientes com câncer de mama.
A equipe descobriu que Everolimus, um agente imunossupressor usado primeiramente para evitar a rejeição de transplantes de órgãos, também tem propriedades anti-angiogênicas. Ele atua inibindo o alvo mamário da proteína rapamicina (mTOR), regulador central da divisão celular e do crescimento de vasos sanguíneos nas células cancerosas do câncer de mama resistente.
Dados preliminares do novo estudo mostram um benefício de seis meses a mais de sobrevida livre da doença.
A terapia combinada usa um ataque duplo para combater a doença. Ao mesmo tempo inibe da via de sinalização do estrogênio com exemestano e o caminho PI3-kinase/AKT/mTOR com o uso de everolimus. "Pela primeira vez um grande estudo de Fase III tem demonstrado que esse ataque duplo é mais eficaz do que um tratamento endócrino único para os pacientes que receberam terapia endócrina prévia", revelam os pesquisadores.
O estudo avaliou 724 pacientes de câncer de mama metastático, na pós-menopausa e que tinham doença do receptor de hormônio positivo e evidência de doença progressiva.
Em uma proporção de dois para um, 485 mulheres foram separadas aleatoriamente para receber a combinação de everolimus (10 mg por dia) e exemestane, e 239 receberam exemestano e placebo.
Em pacientes que receberam a combinação everolimus, pesquisadores encontraram uma sobrevida livre de progressão de 7,4 meses, comparado com 3,2 meses entre aquelas que tomaram exemestano sozinho.
Segundo os pesquisadores, as descobertas podem permitir mudar a abordagem de tratamento das mulheres com a doença.
A equipe planeja novos estudos adicionais com everolimus no câncer de mama, incluindo em combinação com outros inibidores da aromatase, bem como estudos clínicos adicionais na presença de metástases.







http://www.pacientecomcancer.com/novidade/tratamento/avancos-no-tratamento-do-cancer-de-mama-receptor-hormonal-positivo-metastatico/

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Quem quer agradar a todos a si próprio não faz bem! Pois só faz papel de burro e não agrada a ninguém!


O burrico vinha trotando pela estrada.
De um lado vinha o velho, puxando o cabresto.
Do outro vinha o menino, contente, que o dia estava fresquinho e o sol brilhava no céu.
Sentados no barranco estavam dois homens.
No que viram o burro mais o velho e o menino, um cutucou o outro:
– Veja só, compadre! Que despropósito! Em vez do velho montar no burro, vem puxando ele!
O velho e o menino se olharam.
Assim que viraram na primeira curva, o velho parou o burro e montou nele.
O menino segurou o cabresto e lá se foram os três, muito satisfeitos.
Até que perto da ponte tinha uma casa com uma mulher na janela.
– Olha só, Sinhá, venha ver o desfrute! O velho no bem-bom, montado no burro, e o pobre do menino gramando a pé! 
O velho e o menino se olharam de novo.
Assim que saíram da vista da mulher, o velho desceu do burro e botou o menino na sela.
E foram andando um pouco ressabiados, o velho puxando o burro pelo cabresto, pensando no que o povo podia dizer.
Logo logo, passaram numa porteira onde estava parada uma velha mais uma menina.
– Mas que absurdo, minha gente! Um velho que nem se agüenta nas pernas andando a pé, e o guri, bem sem-vergonha, escanchado no burro!
Os dois se olharam e nem esperaram.
O velho mais que depressa montou na garupa do burro e lá se foram os três.
Dali a pouco encontraram um padre que vinha pela estrada mais o sacristão:
– Olha só, que pecado, onde é que já se viu? O pobre do burro, coitadinho, carregando dois preguiçosos! Mas isso é coisa que se faça?
O velho e o menino, desanimados, desmontaram e nem discutiram: saíram carregando o burro.
Mas nem assim o povo sossegou!
Cada vez que passavam por alguém, era só risada!
– Olha só os dois burros carregando o terceiro!
Quando chegaram em casa, o velho sentou cansado, se assoprando:
– Bem feito! — ele dizia. — Bem feito!
– Bem feito o quê, vô?
– Bem feito pra nós. Que a gente já faz muito de pensar pela
própria cabeça, e ainda quer pensar pela cabeça dos outros. Agora eu sei por que é que meu pai dizia:
Quem quer agradar a todos a si próprio não faz bem!
Pois só faz papel de burro e não agrada a ninguém!