sexta-feira, 2 de julho de 2010

COMO NOS CONHECEMOS...


Apesar de tantas perguntas, eu não tive respostas, meu médico é do tipo caladão, só espremendo. Se há algo que me derruba nesta vida, é o não saber, preciso pisar em terra firme, todos esses meses sem saber ao certo o que tinha quase me fizeram pirar. Então o jeito foi buscar informações, corre pro Google e procura, andei por todos os caminhos que ele me levou, blogs, artigos, sites médicos, de hospitais, no Orkut entrei comunidades e foi lá que encontrei muitas de mim, estava entrando num mundo paralelo, o qual minha vida corrida nunca tenha se atentado a isso. Quantas pessoas lutando na mesma guerra, com fé, alegria, incerteza até, mas quantas histórias de vida, eu não estava só.
Foi em uma destas comunidades que conheci a Bibi. Depois de um depoimento desesperado em um fórum, ela veio querendo me acalmar. Toda sorridente, toda alegre, confiante. Essa moça tem câncer? Sim ela tinha...Mesmo assim ousava ter aquela pose? Aff, não gostei dela. E qual não foi minha surpresa ver aquela guria dos pampas me mandando recados, me pedindo pra adicionar no MSN. Aceitei a contragosto. E no primeiro papo foram boas risadas, eu custava a acreditar que toda aquela força e otimismo fosse real, mas era.
Ela iria operar, retirar os dois seios e tava tranquilona. Depois da cirurgia, ela nunca reclamou pra mim de dor ou incomodo, apesar de não ter posição pra dormir, andar com os drenos que ela apelidou de os gêmeos Jorge e Miguel. Mas ela tinha dores, desconforto, só que optava por vencer a tudo isso com alegria, sem esmorecer.
Na verdade minha antipatia , era medo. Medo de ser resgatada por ela como fui, ter sua mão na minha, sua bronca na hora certa, suas loucuras me contagiando e me fazendo forte, como jamais pensei ser, ser frágil (não fraca) e admitir sem vergonha que estou enjoada, que estou com dor, que tive medo, raiva, febre,preguiça, que tive vontade de comer uma lata de pêssegos em calda e os comi, medo de amar alguém tão diferente de mim e ao mesmo tempo, tão parecida, unidas pelas adversidades da vida.
Inacreditável como somos parecidas, temos uma sintonia, advínhamos o pensamento uma da outra, rimos de nossos defeitos colaterais, e os da quimio, nos ajudamos, desabafamos.
Acredito que eu tenha acrescentado a vida dela, como ela a minha. Daquela Lilian desesperada pouco restou, cabelo se foi, o peito logo vai... Ainda cultuo medos do que a doença pode nos trazer, sofremos juntas, nos divertimos com isso, capitulamos tudo em um livro imaginário. Que na impossibilidade, virou este blog.
Se há uma coisa que o câncer me ensinou é agradecer a Deus por tudo. Descobri falsos amigos, encontrei outros maravilhosos, vivo momentos únicos, experimento a todo dia a maravilha de viver. A presença real de Deus em minha vida, na verdade ela não presta. De tão boa, num presta. Mas eu amo mesmo assim. Minha Bibi, é isso, uma flor rara nascida em meio as pedras. O melhor do meu câncer...

1 comentários:

Mulher de Peito disse...

Meninas Maravilhosas.

Lindo, como é bom dividir as nossas experiências, a poucos minutos eu estava pensando na sentença de vida, que me foi ofertada, e lendo o relato de vocês percebo que é vida em sua totalidade.
Bibi & Lilian muito obrigada, pelo bem que vcs., duas me fizerem nessa tarde.

Wilma

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Obrigada por ler o blog, fico feliz que esteja aqui. Deus nos abençoe!!!!